sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Andrés Sorel

«Um dia, ali para os lados da várzea de Granada, nasceu um menino, a cujo parto assistiram todas as fadas. Uma deu-lhe o dom da simpatia, outra o de agradar e outra o da poesia. Cada uma lhe deu, enfim, o seu dom especial. Mas quando parecia que já todas o tinham brindado com tão preciosos presentes viu-se que, escondida pelas outras, ainda restava uma fada, discreta e tranquila, ao lado das outras, desvanecidas com o seu orgulho. Esta última aproximou-se e outorgou ao recém-nascido o dom de saber viver. Com o passar do tempo, este menino, que se chamava Federico García Lorca, pôs em prática os dons das fadas. As suas poesias ainda mal tinham sido escritas agradaram: ainda inéditas, os seus amigos copiavam-nas e aprendiam-nas de memória; encontrava editores para os seus livros; até os dirigentes da Revista de Occidente adormeciam suavemente à sua passagem. E, enfim, os seus amigos eram amigos seus verdadeiramente.»

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