quarta-feira, 10 de junho de 2009

Da Rosa
F.G.Lorca

A rosa
não procurava a aurora:
quase eterna em seu ramo,
procurava outra coisa.

A rosa
não buscava nem ciência nem sombra:
confins de carne e sonho,
buscava outra coisa.

A rosa
não procurava a rosa.
Imóvel lá no céu
procurava outra coisa.
Eu
F.G.Lorca

Encheu-se de luzes
meu coração de seda,
de sinos perdidos,
de lírios e de abelhas,
e eu irei muito longe,
além dessas serras,
além dos mares,
perto das estrelas,
para pedir a Deus
Senhor que me devolva
minha alma antiga de menino,
madura de lendas,
com o gorro de plumas
e o sabre de madeira.

Da fuga



FEDERICO GARCIA LORCA

A meu amigo Miguel Pérez Ferrero

Perdi-me muitas vezes pelo mar,
o ouvido cheio de flores recém cortadas,
a língua cheia de amor e de agonia.
Muitas vezes perdi-me pelo mar,
como me perco no coração de alguns meninos.
Não há noite em que, ao dar um beijo,
não sinta o sorriso das pessoas sem rosto,
nem há ninguém que, ao tocar um recém-nascido,
se esqueça das imóveis caveiras de cavalo.
Porque as rosas buscam na frente
uma dura paisagem de osso
e as mãos do homem não têm mais sentido
senão imitar as raízes sob a terra.
Como me perco no coração de alguns meninos,
perdi-me muitas vezes pelo mar.
Ignorante da água vou buscando uma morte de luz que me consuma.

Bodas de Sangue


Meu primeiro

trabalho sobre um texto de Lorca foi o espetáculo Bodas de Sangue no Teatro Ventoforte

Lorca 2009

Início do processo de criação de um espetáculo solo sobre a vida e obra de Federico Garcia Lorca